A Noite em que Caminhamos pela Rodeo Drive até a Casa dos Irmãos Menendez

MINHAS AVENTURAS DE VIAGENS

Felipe Reis

5/24/20253 min read

Novembro de 2024. Los Angeles estava mais elétrica do que nunca não só pelos letreiros de neon da Sunset Strip ou pela movimentação constante da Hollywood Boulevard, mas por uma energia quase cinematográfica que parecia envolver cada esquina. Eu estava hospedado em um hostel ali pertinho da calçada da fama, e a cidade já vinha me surpreendendo dia após dia. Mas uma das experiências mais inesperadas e surreais aconteceu durante uma caminhada noturna por Beverly Hills, com dois amigos mexicanos que conheci por puro acaso.

Nos conhecemos na porta do Universal Studios Hollywood, numa manhã ensolarada que começou com filas enormes e terminou com uma amizade espontânea. A conexão foi tão natural que no dia seguinte nos reencontramos na cozinha do hostel de maneira totalmente inesperada, rindo os 3 como se já nos conhecêssemos há anos. E foi numa dessas conversas descontraídas que surgiu a ideia de sair à noite para explorar a famosa Rodeo Drive aquele símbolo máximo do luxo e do glamour californiano.

A noite estava agradável, com um céu limpo e uma brisa fresca que contrastava com o brilho das vitrines de marcas como Gucci, Chanel e Louis Vuitton. Era tarde, e a Rodeo Drive já estava praticamente deserta. As lojas começavam a se fechar. Os turistas, já recolhidos. Só nós três, caminhando por aquelas calçadas perfeitamente limpas, sentindo o silêncio acolhedor de um bairro que de dia vive cercado de flashes e paparazzi, mas que à noite se transforma em algo quase fantasmal.

Foi então que eu sugeri quase como uma piada (sagitariano que sou, tudo tem um tom de brincadeira e leveza kkk), que estávamos perto da antiga residência (vulgo mansão) dos irmãos Menendez. Aquela história voltou aos holofotes por causa da série "Monstros", recém-lançada pela Netflix, e que eu e meus novos amigos havíamos assistido a poucos dias e portanto totalmente influenciados e todos meio obcecados por histórias criminais. Em segundos, a ideia de visitar a casa deles deixou de ser uma brincadeira e virou plano. Ligamos o Google Maps e começamos a caminhar pelas ruas laterais em direção a Elm Drive número 722, em direção ao local exato do crime que marcou a década de 90

A medida que nos afastávamos da Rodeo Drive, o bairro ficava ainda mais imponente. Mansões cercadas por muros altos, jardins perfeitos e aquele tipo de silêncio que só bairros de altíssimo padrão conseguem proporcionar. Estávamos literalmente sozinhos. Nenhum carro passava. Nenhuma pessoa à vista. Parecia que o tempo havia parado ou que tínhamos entrado num episódio de Black Mirror.

Quando finalmente chegamos à casa dos Menendez, um calafrio percorreu minha espinha. Lá estava ela. Enorme, imponente, com aquela fachada clássica de mansão americana, tão familiar por causa dos documentários e da série. Encontrava-se cercada por uma cerca de metal e um material preto para ofuscar a visão do local. Ficamos ali por alguns minutos, observando em silêncio, como se estivéssemos diante de um marco histórico não-oficial de Los Angeles. Não falamos muito. Apenas absorvemos a cena, cada um imerso em seus próprios pensamentos. Tínhamos plena consciência do peso simbólico daquele lugar e, ao mesmo tempo, da singularidade daquele momento tão inusitado.

Na volta, rimos da nossa própria ousadia. Três estrangeiros dois mexicanos e um brasileiro vagando pelas ruas silenciosas de Beverly Hills, às 23h, em busca de uma casa que virou símbolo de um crime brutal. E ninguém nos abordou. Ninguém sequer apareceu. Era como se aquela noite tivesse sido feita só pra gente.

É por histórias assim que eu viajo. Por encontros improváveis, por decisões espontâneas e por momentos que jamais seriam possíveis se eu tivesse seguido um roteiro fechado. Aquela noite em Beverly Hills foi, sem dúvida, um dos episódios mais marcantes da minha viagem a Los Angeles. E tudo começou por acaso, na fila de entrada de um parque temático.

Foto de Minha Autoria - Felipe Reis (acervo pessoal)