Minha Primeira Vez nos EUA: Skiplagging, Imigração e uma Corrida Contra o Tempo

MINHAS AVENTURAS DE VIAGENS

Felipe Reis

6/7/20252 min read

Se tem uma coisa que eu posso garantir é que minha estreia nos Estados Unidos foi tudo, menos comum. Já cheguei ousando com um clássico entre viajantes experientes (e levemente polêmico): o skiplagging — aquela tática onde você compra uma passagem para um destino final, mas "some" durante a conexão. Sim, eu fiz isso. Com o coração na mão, mas fiz.

O plano era claro: comprei uma passagem de volta de Cancún para Guarulhos, com conexão em Miami. Só que em vez de seguir até São Paulo, meu real destino era Orlando, o lar dos parques da Universal, da Disney e muitos outros — um lugar que sempre habitou meus sonhos de infância. E lá estava eu, sozinho, com a cara e a coragem, sem falar inglês e com toda a viagem montada por mim: roteiro, reservas, transporte, tudo.

Desembarquei em Miami pronto para colocar o plano em ação. Tinha cronometrado cada passo entre a imigração e o terminal de ônibus (que fica ao lado do aeroporto), onde pegaria meu busão rumo à terra da magia. Mas se tem uma coisa que eu não considerei foi o caos da imigração americana. A fila era interminável. Ali, parado, sem entender quase nada, me vi cercado de ansiedade. Era minha primeira vez entrando num dos países mais rigorosos do mundo. O nervosismo estava a mil.

Quando finalmente chegou minha vez na cabine da imigração, o agente americano começou a disparar perguntas. Eu, suando frio, entendia no máximo umas palavras soltas. A solução? Entreguei todos os meus documentos de viagem impressos. Ele analisou, fez uma cara de quem não estava muito feliz com aquilo, mas no fim... me liberou.

Já atrasado, corri para tentar alcançar meu ônibus. Como o terminal era ali do lado, não tinha planejado pegar um Uber, mas o tempo apertado me obrigou. E foi aí que o universo conspirou a favor: meu motorista era venezuelano! Aleluia! Eu, fluente em espanhol, consegui explicar a correria. Ele, super parceiro, acelerou o que pôde, desviou por caminhos mais rápidos e me levou voando até o terminal.

Chegamos no exato momento em que o ônibus estava saindo. Sim, eu o vi partindo diante dos meus olhos. Uma cena digna de filme — daqueles em que o personagem principal perde tudo, menos a esperança. Esperei algumas horas até o próximo ônibus, que, pra melhorar, não era direto até Orlando. Mas fazer o quê? A essa altura, eu já estava vivendo o espírito da viagem: imprevistos, adrenalina e histórias pra contar.

Minha primeira vez nos EUA foi um verdadeiro mergulho no desconhecido: entre manobras arriscadas de viagem, a dificuldade com o idioma e a solidão, tudo parecia mais difícil. Mas também foi nesse caos que eu descobri o quanto sou capaz. Viajar é isso: sair da zona de conforto, errar o caminho, inventar soluções no improviso e, no fim, se surpreender com a própria coragem.

Se você sonha em conhecer o mundo, saiba: o medo vem junto. Mas se você estiver disposto a enfrentá-lo, ele se transforma em histórias incríveis. E essa foi só a primeira de muitas que vivi... e ainda vou viver.

Foto: Acervo Pessoal